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sexta-feira, 14 de março de 2014

EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS ECONÔMICOS

A evolução dos sistemas econômicos, nesses últimos dez mil anos, foi marcada por duas características norteadoras de todo o processo:
  • Especialização: sistema de produção segundo o qual cada indivíduo se concentra em um número limitado de atividades; e
  •  Troca: dar uma coisa por outra, substituir uma coisa por outra, permutar.
Através da especialização e da troca, as nações puderam dispor de maior produção, e os padrões de vida foram se elevando.
Diante disso, todas as nações passaram a aumentar o grau de especializações e de trocas.
As razões pelas quais a especialização e a troca permitem o crescimento da produção podem ser observadas pela capacidade humana de aprender durante a vida. Isto significa que o ser humano
possui a capacidade de aprender a fazer coisas durante a vida.
Diante disso, a especialização torna-o mais hábil para fazer algumas poucas coisas, em vez de ser amador em várias. Uma outra razão que se justifica é pelo tempo necessário para mudar de uma atividade para outra. Segundo Hall e Liberman (2003, p. 34), “[...] quando as pessoas se especializam e, com isso, passam mais tempo realizando uma só tarefa, há menos perda de tempo decorrente da
transição entre as tarefas”. Percebe-se, com isso, uma alteração nos níveis de produtividade dessa economia, levando-a a um crescimento do nível de produção.
Uma forma simples de entendermos e visualizarmos como se organiza a economia, como seus participantes interagem uns com os outros, como os compradores e consumidores se relacionam entre si e com o governo e, ainda, como a economia interna se relaciona com o setor externo, se expressa através do diagrama do fluxo circular ampliado. Veja a Figura
Diagrama do fluxo circular
Podemos observar que o diagrama do fluxo circular evidencia visualmente as relações econômicas instituídas e facilita o entendimento no que diz respeito ao funcionamento da economia,
utilizando as seguintes categorias: produtores (organizações), consumidores (famílias), governo e setor externo.
Verificamos no diagrama do fluxo circular a existência de relações entre os diversos agentes que compõem o mercado interno e também a relação desse mercado com o setor externo. Com a
presença de pessoas, empresas (grandes, médias, pequenas, formais e informais) e governos (municipal, estadual e federal), as relações estabelecidas dão sustentação ao mercado. Isto acontece em quase todos os lugares, e uma relação direta e indireta com o meio ambiente
acaba sendo processada. Para pensarmos em produção de bens e serviços precisamos considerar como elemento básico da análise a questão ambiental.
Diante do exposto, podemos dizer que a atual discussão sobre o tema meio ambiente e desenvolvimento econômico reflete a relação contrária que se manifesta, por um lado, diante do modelo de desenvolvimento adotado e os impactos provocados ao meio ambiente e, por outro lado, o que esses impactos ambientais podem provocar no modelo de desenvolvimento.

Você sabia que, no sistema econômico, tudo pode e deve ser avaliado monetariamente, de modo que toda a produção de bens e serviços que uma economia produz pode ser transformada em valor, medido pelo dinheiro ou pela moeda?
Mas como mensurar as atividades econômicas?


Mensurar significa quantificar essas relações. Logo quando as atividades econômicas de um país são mensuradas, a sociedade passa a ter mais clareza do seu processo de desenvolvimento econômico. Acompanhe como se desenvolvem o Fluxo Real e o Fluxo
Monetário da economia, ilustrados nas Figuras 2 e 3,respectivamente.

Figura 2: Fluxo real da economia
Fonte: Elaborada pelos autores

Figura 3: Fluxo monetário da economia
Fonte: Elaborada pelos autores
   

De acordo com as figuras, note que enquanto o Fluxo Real procura evidenciar as relações de demanda e oferta existentes no mercado de bens e serviços, o Fluxo Monetário deixa claro a relação
de pagamentos efetuados no mercado de bens e serviços, e a remuneração dos fatores de produção.
Assim podemos afirmar que o sistema econômico é o conjunto de relações técnicas, básicas e institucionais que caracterizam a organização econômica de uma sociedade.
Independentemente do seu tipo, todo sistema econômico deve, de algum modo, desempenhar três funções básicas – básicas em Economia, determinando:
  •  O que produzir e em que quantidade: precisamos definir entre as possibilidades, o que e qual a
quantidade a ser produzida, de modo a satisfazer o mais adequadamente a sociedade;
  •  Como produzir tais bens e serviços: devemos definir quem vai ser o responsável pela produção, qual a tecnologia a ser empregada, qual o tipo de organização da produção etc.; e
  •  Para quem produzir, ou seja, quem será o consumidor: devemos definir o público-alvo e as maneiras através das quais o produto deverá atingi-lo.
Mas como as sociedades resolvem os seus problemas
econômicos fundamentais: o que e quanto, como e para quem
produzir?


A resposta depende da forma de organização econômica. Cada relação entre esses agentes caracteriza um mercado em particular. No campo da Microeconomia*, podemos analisar o mercado de petróleo, de soja, de mão de obra para o setor financeiro etc., enquanto, no campo da Macroeconomia*, podemos destacar o funcionamento do mercado de bens e serviços, mercado de trabalho como um todo, mercado financeiro e mercado cambial.
Note que, no mundo de hoje, entender de economia e compreender como funcionam os mercados, em suas reais dimensões, problemas e implicações em termos de bem-estar social, econômico e político, nos auxilia bastante nas tomadas de decisões.
O mercado possibilita enxergar outras variáveis (outras relações) que não se encontram apenas no campo da economia.
Existem duas formas principais de organização econômica:
  •  Economia de mercado (ou descentralizada, tipocapitalista); e
  • Economia planificada (ou centralizada, tipo socialista).
Os países organizam-se dessas duas formas ou possuem algum sistema intermediário entre elas.
Outra questão importante, que surge na esfera do estudo econômico, diz respeito às distinções entre as preocupações macro e microeconômicas. Contudo, vale salientar que, embora, aparentemente díspares, ambas tratam do mesmo objeto: o sistema econômico.
Como já vimos, a Microeconomia trata do comportamento das unidades econômicas, enquanto a Macroeconomia aborda o conjunto da economia. Para tanto, sempre são feitas abstrações.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

CRÍTICAS AO MODELODE KEYNES

A teoria keynesiana não explica a crise como um fenômeno cíclico, com particularidades e inerente
ao funcionamento da economia capitalista, mas sim como algo inteiramente
novo e de certa maneira acidental.
A origem da crise é atribuída ao comportamento humano, basicamente erro de previsão dos agentes econômicos e ou política econômica inadequada e, portanto, esta poderia ser evitada (Ribeiro e Mendonça,1986). Este autor destaca que nesta visão o subjetivo sempre sobrepõe-se ao objetivo, desconsiderando assim a existência de leis objetivas na economia que determinam o desenvolvimento dos fenômenos econômicos autônomos da vontade e consciência dos homens. Castro (1986), acredita que a afirmação keynesiana de que o ciclo seja ocasionado por uma
mudança cíclica da eficiência marginal do capital é questionável.
Assim Keynes, sem ter resultados satisfatórios, procura vincular a idéia de
ciclo econômico com a teoria geral.
Isto ocorre ao apresentar a EMC como variável independente e sensível às expectativas de
longo prazo.
No entanto, para que esta afirmação seja procedente é necessário que a eficiência marginal do capital apresente oscilações cíclicas, proposição que o autor não consegue fundamentar. Segundo Castro, nas poucas tentativas neste sentido, Keynes relaciona a expectativa de rendimentos futuros (EMC) ao estoque de capital existente ou à especulação e incerteza. Na primeira relação, o estado de expectativas conduziria ao otimismo exagerado ou ao pessimismo sobre a decisão de investir.
Na segunda relação, o estado de incerteza, resultaria em expectativas que no longo prazo baseiam-se em informações mutáveis e não confiáveis e, portanto, sujeitas a súbitas e violentas mudanças.
Segundo Castro, no primeiro caso, a causa dos ciclos econômicos estaria assim relacionada a fatores de ordem psicológica que praticamente fogem do alcance da economia, e no segundo caso, se o conhecimento em relação ao futuro fosse calculável e não sujeitas a súbitas mudanças, a lei de Say passaria a ser válida.
Além disto, a incerteza não é abordada como algo inerente ao comportamento humano.
O sentido de instabilidade atribuído por Keynes não significa que o sistema pode mover-se a qualquer direção e nem considera que as expectativas a longo prazo podem ser assimiláveis. "É um paradoxo do capitalismo que a própria incerteza intrínseca ao caráter anárquico (não regulado conscientemente) de sua atividade produtora de mercadorias gere um antídoto na forma de um comportamento convencional, que aplaina o caminho do investimento por intermédio de um não desprezível componente inercial nas expectativas.
É este o elemento estrutural básico que torna possível converter a anarquia em instabilidade e não em caos" (Possas,1986).

O Princípio de Ajustamento do Estoque de Capital O enfoque keynesiano sobre o investimento
apresenta uma incoerência.
Ao considerar o nível de renda do pleno emprego, o autor não considera que o efeito do investimento não se dá somente sobre a renda (multiplicador), mas também sobre a capacidade
produtiva instalada.
Sendo assim, para que o nível de pleno emprego se mantenha é necessário que cresça a cada período, conforme abordado no modelo de Kalecki, quando apresenta o duplo caráter do investimento.
Inverte sua posição ao tratar dos efeitos do investimento sobre a sua determinação, quando considera o investimento como variação do estoque de capital e não seus efeitos no nível de renda (Jobim,1981).

Crédito e Poupança A controvérsia entre o crédito e a poupança e seu efeito sobre o investimento pode ser sintetizado em duas vertentes:
a dos fundos de empréstimos (Síntese neoclássica e neo- keynesianos) e a da abordagem pela
preferência pela liquidez (Keynes e pós-keynesianos).
A dos fundos de empréstimos, na sua versão clássica, atribui ao banco um papel passivo de repassadores de poupanças, por supor que apenas a moeda manual é aceita nas transações
econômicas. Esta versão enfatiza a função da poupança no financiamento do investimento como condição necessária para realizá-lo.
Neste sentido, Jorgenson atribui a otimização dos investimentos como função das preferências
fundamentais e da tecnologia que caracteriza a economia e que os fatores meramente financeiros não influenciam fenômenos reais.
Este autor acredita que se o investimento é definido pelas preferências estáveis e pela tecnologia, as flutuações no nível de produção seriam previsíveis e possíveis de isolar, ou seja, grande parte da volatilidade da demanda agregada introduzida por Keynes seria controlável através de uma política de estabilização adequada (teoria das expectativas racionais, ver Fazzari,1993 e Precious,1987).
Ainda na direção da versão dos fundos de empréstimo, Robertson, numa abordagem mais moderna, amplia o conceito de meios de pagamento, ao incluir saldos de transações e recursos advindos do Banco Central.
Nestas circunstâncias, o sistema bancário assume um papel ativo e define a oferta de crédito, admitindo, contrariamente à versão clássica, a possibilidade de desequilíbrios entre a oferta e demanda global por crédito.
A taxa de juros restauraria este equilíbrio, pois funcionaria como um mecanismo de ajuste entre poupança e investimento global. Na versão alternativa da preferência pela liquidez, a taxa de juros não atua no equilíbrio entre a poupança e o investimento global, mas representa um prêmio pela perda da liquidez.
Nestas condições, a taxa de juros depende muito mais das decisões dos agentes econômicos do
que do fluxo de poupança e investimento global, e o equilíbrio entre a poupança e o investimento
é definida pelo nível de renda, uma vez que a decisão de realização do investimento resulta do
estado de expectativas dos agentes, sustentada no princípio da demanda efetiva.
Na versão destes autores, a instabilidade dos fatores financeiros podem causar instabilidade nos
investimentos e na macroeconomia (teoria das incertezas, ver Fazzari,1993 e Precious,1987). Neste contexto, a falta de uma distinção clara do efeito do aumento da demanda por moeda pelo
motivo transação (preferência pela liquidez) com a finalidade de investir (fundo de empréstimo ou "finance motive"), sobre a taxa de juros, gerou polêmica (Amadeo e Franco,1989). Para Keynes e os pós- keynesianos, a provisão de recursos para a realização de um investimento
("finance motive") não altera a liquidez da economia, porque o próprio gasto na compra
dos equipamentos ajusta-a automaticamente.
A empresa que vendeu os equipamentos mantém os recursos sob a forma de depósito bancário,
caracterizando assim uma operação puramente contábil. Robertson não aceita esta posição por acreditar que a liquidez se restabelece somente quando o efeito multiplicador se completa e o financiamento é totalmente amortizado.
Para Robertson, dificilmente a geração efetiva de receitas nos níveis estimados se concretiza e os gastos em investimento dificilmente se identificam com a vida útil do equipamento (período
de geração de renda).
Nesta condições, o efeito do caráter temporal dos gastos em investimento e da renda gerado por este investimento alteraria o
estado de liquidez do sistema (Amadeo e Franco,1989). A polêmica é fruto de uma compreensão
diferente sobre o conceito de liquidez: em Keynes liquidez parece representar "o volume de ativos líquidos à disposição dos bancos para empréstimos"; em Robertson, a liquidez "diz respeito àrecomposição da estrutura do ativo dos bancos (relação caixa/ depósitos)" (Amadeo e Franco,1989). Amadeo e Franco (1989), acreditam, ainda, que a massa de lucro de cada período e a política de sua distribuição pode afetar a capacidade e decisão das firmas de realizarem novos
investimentos.
Se a expectativa de lucro não se concretiza, a fragilidade financeira de empresa aumenta, gerando dificuldades para efetuar as amortizações e o refinanciamento e ou novas decisões de
investimento sofrerão influência de possíveis restrições quantitativas de crédito, spreads mais
elevados e deságio na venda de ações, ambas de impacto negativo ao investimento. Figueiro (1995) destaca que a análise de Keynes (comparando à de Kalecki) é mais financeira, por supor
o investimento como função da eficiência marginal do capital e da taxa de juros,
confrontando a decisão de investir em capital fixo com outras possibilidades de
aplicações financeiras, e atribuir um papel de destaque à moeda e à preferência pela liquidez.
Consegue, desta forma, captar melhor o aspecto financeiro da economia capitalista.

O Progresso Tecnológico Kalecki, ao introduzir o fator tecnológico em seu modelo, apresenta o
princípio da demanda efetiva de forma mais completa. É importante destacar que esta variável
explica o investimento que ocorre em períodos em que a taxa de retorno é
desfavorável (deficiência de demanda efetiva). Nestas circunstâncias, o princípio da demanda
efetiva em Keynes bapresenta dificuldades para
explicar porque o investimento ocorre; trata- se, na verdade, de uma estratégia empresarial
ofensiva que visa atingir uma condição privilegiada no momento da reversão do ciclo econômico.

Curto e Longo Prazo Kalecki, diferentemente de Keynes, atribui a determinação do investimento mais a fatores de longo prazo, especificamente a poupança dos capitalistas,
taxa de juros de longo prazo (embora a considere bastante estável, concorda que a taxa de retorno deve ser superior para que haja investimento) à expectativa de lucros e ao fator tecnológico.
A Fragilidade Teórica Alguns autores (entre eles Schumpeter) atribuem o valor da teoria geral
muito mais como instrumento de política econômica e não por questão de teoria econômica, devido ao hábito de estabelecer conclusões práticas sobre bases teóricas frágeis (o
chamado vício ricardiano). No entanto, quase não se encontram recomendações de política econômica na teoria geral, que na verdade se difundiram através dos seus seguidores. O trabalho
teórico de Keynes preocupou-se muito mais com o emprego dos recursos disponíveis do
que com crescimento e acumulação de capital. Sendo assim, seu trabalho se limita ao curto prazo,
deixando a tarefa da transposição ao longo prazo para outros autores (Vernengo,1994 e Robinson,1979). 3.4.7 - A Dinâmica na Teoria Geral A síntese neoclássica, através de Hicks, no
modelo IS/LM, mostra que a economia encontra equilíbrio simultâneo no mercado de bens (nível de renda) e monetário (taxa de juros). Pigou (efeito riqueza) e Modigliani (efeito Keynes) mostram que a queda dos preços e dos salários é uma arma eficiente na condução ao pleno emprego.

Os pós-keynesianos, com o objetivo de resgatar a teoria geral, afirmam que a existência de moeda representa a presença do elemento de instabilidade que pode quebrar o ciclo renda-gasto, pois a retenção da moeda (liquidez) é a acumulação mais procurada em períodos de crise. Para Keynes, uma redução dos salários e do preço reduz, respectivamente, a
demanda efetiva e o lucro, gerando instabilidade e estimulando a acumulação de ativos líquidos
(dinheiro), provocando, assim, um aumento na taxa de juros e contrariamente a Pigou e Modigliani, desencorajaria o investimento.
A síntese neoclássica negligencia a importância da moeda e das expectativas, distorcendo desta forma, o conteúdo da teoria geral (Bittencourt,1995). Em síntese, tanto o modelo de Keynes quanto o kaleckiano representam um importante marco teórico no sentido de introduzir uma revisão à macroeconômica clássica e neoclássica e na tentativa de explicação da dinâmica
capitalista.

Multiplicador fiscal

O multiplicador fiscal é a razão de uma variação na renda nacional ocasionada por uma alteração nos gastos governamentais que ela provoca. Mais genericamente, os gastos exógenos ao multiplicador são a razão de uma mudança na renda nacional em relação a qualquer mudança nos gastos
autônomos (as despesas de investimento privado, gastos do consumidor, gastos do governo, ou
gastos de estrangeiros sobre as exportações do país) que ela provoca.
Quando este multiplicador for superior a um, o efeito sobre a renda nacional será maior, efeito este conhecido como efeito multiplicador .
 O mecanismo que pode dar origem a um efeito multiplicador é um montante inicial de gastos incrementais que pode levar a um aumento do consumo e aumento da renda, resultando em um
aumento global da renda nacional maior que o incremento inicial. Em outras palavras, uma mudança inicial na procura agregada pode causar uma mudança na produção agregada (e, consequentemente, a renda agregada que ele gera) que é um múltiplo da mudança inicial.
No entanto, multiplicadores com valores inferiores a um são medidos empiricamente, e sugerem
que certos tipos de gastos do governo, investimentos privados ou gastos dos consumidores podem gerar inflação.
Pode ocorrer porque o primeiro aumento nos gastos pode provocar um aumento nas taxas de juros ou no nível de preços, causando uma queda na renda real das pessoas.
 A existência de um efeito multiplicador foi proposto inicialmente por Richard Kahn, em 1930, e é particularmente associada com a economia keynesiana . Algumas outras escolas de pensamento econômico rejeitam ou minimizam a importância dos efeitos multiplicadores (fiscais e monetários), nomeadamente em termos de longo prazo.
 O multiplicador fiscal foi usado como argumento justificativo de alívio fiscal para estimular a demanda agregada.

Dispêndio governamental

O outro aspecto importante do multiplicador, é que na medida em que os gastos do governo geram
consumo, também, de forma similar, geram "novas" receitas fiscais.

Por exemplo, quando o dinheiro é gasto em uma loja, há uma cobrança de impostos sobre qualquer
objeto comprado, o lojista incrementa sua receita com a despesa feita pelo
consumidor e, consequentemente, paga mais imposto de renda. Portanto, embora o governo dispenda € $ 1,00, é provável que ele receba de volta uma parte significativa do € $ 1,00 em um momento oportuno, tornando a despesa líquida muito menor do que o custo inicial. De fato, é possível, que o governo receberá de volta mais do que o dispêndio inicial € $ 1,00, o dispêndio então ficaria caracterizado como um investimento .

Crises Econômicas


Os consumidores aplicam as proporções de seus gastos em bens e poupança, em função da renda. Quanto maior a renda, maior a porcentagem desta é poupada. Assim, se a renda
agregada aumenta em função do aumento do emprego, a taxa de poupança aumenta
simultaneamente; e como a taxa de acumulação de capital aumenta, a produtividade marginal do capital reduz-se, e o investimento é reduzido, já que o lucro é proporcional à
produtividade marginal do capital. Então ocorre um excesso de poupança, em relação ao investimento , o que faz com que a demanda (procura) efetiva fique abaixo da oferta e assim o
emprego se reduza para um ponto de equilíbrio em que a poupança e o investimento fiquem iguais. Esse equilíbrio pode significar a ocorrência de desemprego involuntário em economias avançadas
(onde a quantidade de capital acumulado seja grande e sua produtividade seja pequena).
Segundo a teoria de Keynes , o Estado deveria intervir na fase recessiva dos ciclos econômicos com
sua capacidade de imprimir moeda para aumentar a procura efetiva através de déficits do orçamento do Estado e assim manter o pleno emprego

Aplicação

O multiplicador fiscal é uma ferramenta usada pelo governo para tentar
estimular a demanda agregada. Isso pode ser feito em um período de recessão ou incerteza econômica. O dinheiro investido pelo governo gera mais empregos, o que significará mais gastos e assim por diante. A idéia é que um aumento líquido do rendimento disponível em toda a
economia gere um acréscimo maior do que o investimento inicial. Quando é esse o caso, o
governo pode aumentar o produto interno bruto de forma que ele seja maior que o montante gasto
inicialmente em relação ao montante da arrecadação em impostos. O diferencial está na forma
em que é conduzida a política fiscal . O estímulo fiscal líquido pode ser acrescido pelo aumento das
despesas acima do nível das receitas fiscais, redução de impostos abaixo do nível
de gastos do governo, ou qualquer combinação dos dois, que resulta em menos tributos governamentais . O déficit resultante deve ser financiado pelas reservas do governo, financimento da
dívida governamental, por meio da venda de títulos da dívida pública ou o incentivo ao investimento
privado. Se o dinheiro é emprestado, ele deve eventualmente ser pago com juros, de modo que o efeito a longo prazo sobre a economia dependa do trade-off entre o aumento imediato do PIB e os custos a longo prazo da dívida resultante.
Deve-se notar que a extensão do efeito multiplicador depende da propensão marginal a consumir e da propensão marginal a importar. Também que o multiplicador pode funcionar no sentido inverso, assim, uma queda inicial nos gastos pode provocar novas quedas na produção agregada. O conceito do multiplicador econômico à escala macroeconômica pode ser estendido para todas as
regiões econômicas. Por exemplo, construir uma nova fábrica pode gerar novos empregos para a
população local, que pode ter repercussões econômicas para a cidade ou região.

O MODELO HARROD-DOMAR

O modelo Harrod-Domar foi o primeiro modelo específico de crescimento a
ser elaborado. Sem dúvida, Ricardo, Marx e Schumpeter já haviam elaborado
modelos de desenvolvimento. E na obra de outros economistas já estavam contidos
modelos de desenvolvimento, mas nunca sob a forma explícita e precisa do modelo
Harrod-Domar. Mais importante que essa prioridade no tempo, porém, este modelo
apresenta uma característica que o torna notável: sua extrema simplicidade.
Está baseado em dois conceitos básicos: do lado da oferta agregada, na
relação marginal produto-capital, σ, ou seja, em quanto aumenta a produção ou a
oferta global, quando, através do investimento, aumenta de uma unidade o estoque
de capital; e do lado da demanda, no propensão maginal a poupar, s, ou seja, em
quanto aumenta a poupança, quando aumenta de uma unidade a renda ou demanda
agregada.

Do lado da oferta tem-se a função de produção
Y = σ K (1)

ΔY = σ Δ K (2)

ΔY = σ I (3)

sendo

Y = renda ou produto estoque de capital

K = estoque de capital

ΔK = I = investimento

σ = relação produto-capital média e marginal.


Por outro lado, tem-se a demanda agregada, definida em termos keynesianos,
a partir da função consumo e de uma série de pressupostos simplificadores:

Y = C + I (4)

C = bY (5)

Pode-se, assim, definir a equação geral da demanda agregada (6)

e da demanda agregada incremental (7)

Y = (1/s) I (6)

ΔY = (1/s) Δ I (7)


sendo

C = consumo

b = propensão marginal e média a consumir

s = 1 – b = propensão marginal e média a poupar.

Dada a condição de equilíbrio entre a oferta e a procura agregada,
correspondente à igualdade ex-ante entre investimento e poupança, pode-se
equalizar a oferta (2) e demanda (6)

ΔI/I = σs (8)

Por outro lado, isolando-se I em (3) e em (6), tem-se também que:

ΔY/Y = σs (9)

Tem-se, portanto, que, para um desenvolvimento em condições de equilíbrio,
a taxa de crescimento da renda deverá ser igual à taxa de crescimento dos
investimentos, e ambas deveriam ser iguais ao produto da relação produto-capital
pela propensão marginal a poupar. Por outro lado, na medida em que a relação
média e marginal produto-capital são constantes, o estoque de capital deve também
crescer à mesma taxa que a renda. Tem-se pois,

ΔY/Y = ΔI/I = ΔK/K = σs (10)


CONCEPÇAO DE FIO DA NAVALHA

Este modelo extremamente simples está baseado em uma concepção de fio
da navalha do crescimento. O processo de desenvolvimento, nesses termos, é
eminentemente instável Existe apenas uma taxa de crescimento dos investimentos e
da renda que assegura o equilíbrio, e, dentro de uma perspectiva tipicamente
keynesiana, não há nenhum mecanismo automático que garanta o crescimento
àquela taxa.

O sistema capitalista, segundo este modelo, é necessariamente dinâmico,
para que haja equilíbrio, mas este só ocorrerá por simples acaso, já que os
mecanismos de mercado não o garantem. O dinamismo do sistema decorre da dupla
função do investimento: de um lado, determina a demanda agregada, via
multiplicador, de outro, produz um aumento da oferta; através da função de
produção. Se o investimento for positivo, mas não crescer, a economia deixará
ociosa parte de sua capacidade produtiva crescente, já que a oferta agregada
continuará a crescer (dada a acumulação líquida de capital positiva), enquanto que a
demanda agregada permanecera estagnada (dada a manutenção do mesmo volume
absoluto de investimentos). É preciso, portanto, que o investimento seja não apenas
positivo, mas cresça sempre, à mesma taxa do crescimento da renda para que a
economia encontre o difícil e único caminho do equilíbrio.
O modelo Harrod-Domar faz, portanto, uma opção clara por um tipo de
crescimento instável, em que as três variáveis básicas do modelo, a taxa natural de
crescimento, ΔY/Y (correspondente à taxa de crescimento da população somada à
taxa de desenvolvimento tecnológico), a propensão marginal a poupar e a relação
produto-capital são determinadas independentemente. Além disso, estas duas
últimas variáveis são consideradas constantes. Nesses termos, conforme observam
Halin e Mathews (1964, p. 784), o modelo conduz a um tipo de crescimento
instável. Dada a equação básica,
ΔY/Y = σs,
se σ e s são constantes e independentes, nada assegura que a economia cresça em
equilíbrio.
Dois tipos de crítica foram dirigidos a esta abordagem. De um lado, os
economistas neo-keynesianos de Cambridge, e particularmente Kaldor, observaram
que, se se transformar a propensão marginal a poupar em uma variável endógena do
modelo, dependente da distribuição de renda entre capitalistas e trabalhadores
(admitida a hipótese clássica, comum a Ricardo e a Marx, de que a propensão
marginal a poupar dos primeiros é maior que a dos últimos), a variação na

distribuição da renda garantiria o equilíbrio a longo prazo do sistema. A demanda
agregada é constituída pelos lucros dos capitalistas e pelos salários dos
trabalhadores. Nos momentos de prosperidade os investimentos estariam crescendo,
a demanda agregada cresceria. os preços e os lucros idem, enquanto se reduziria o
consumo real. Ocorreria, portanto, um processo de concentração de renda. Nos
momentos de crise dar-se-ia o inverso. Em ambos os casos o – sistema tenderia para
o equilíbrio através de um maior ou menor grau de concentração de renda, que
afetaria a propensão a poupar da economia. Nas palavras de Kaldor (1956, p. 95):
“(...) um aumento do investimento, e portanto na demanda total, fará crescer os
preços e as margens de lucro, e portanto reduzirá o consumo real, enquanto que uma
diminuição nos investimentos, e portanto na demanda total, causa uma queda nos
preços (relativa ao nível dos salários) e conseqüentemente um aumento
contrabalançador no consumo real, Pressupondo-se preços flexíveis (ou melhor,
margens de lucro flexíveis), o sistema é portanto estável ao nível de pleno
emprego.”3.
A outra crítica teve origem nos economistas neoclássicos, para os quais o
modelo keynesiano instável era inaceitável na medida em que o equilíbrio
automático da economia, via sistema de preços, constitui o ponto de partida e o
necessário ponto de chegada de todos os raciocínios. Em vista disso, os neoclássicos
criticaram o modelo Harrod-Domar e apresentaram alternativas nos termos do
modelo de Solow e de Meade mais compatíveis com a visão marshalliana da
concorrência perfeita e do equilíbrio geral automático da economia. Ao invés de
fazerem variar a propensão marginal a poupar através do maior ou menor grau de
concentração de renda, como os neo-keynesianos e neo-marxistas, os neoclássicos
preferiram fazer variar a relação o produto-capital através da adoção de uma função
de produção que permitisse perfeita substituição de capital por trabalho.

Diferenca entre Crescimento exógeno e crescimento endógeno

A versão tradicional da teoria neoclássica do crescimento económico atribui
grande importância à poupança e formação de capital na explicação do crescimento,
numa perspectiva de curto e médio prazo, mas, no longo prazo, as diferenças nas
taxas de crescimento económico são o resultado das diferenças tecnológicas
exógenas (Solow (1956), Swan (1956) e Cass (1965)) e do crescimento sustentado,
exógeno, na oferta de factores (como, por exemplo, o crescimento populacional).
No longo prazo, a taxa de crescimento reduz-se a uma constante, independente da
taxa de poupança e, as variáveis fiscais podem afectar o rendimento, mas não a taxa
de crescimento económico de longo prazo.
No modelo neoclássico, as alterações do rácio de poupança só têm efeitos
temporários no crescimento devido à hipótese dos rendimentos decrescentes do
capital. No curto prazo, se o aumento da poupança conduz a um aumento do stock
de capital e um crescimento mais acelerado, os rendimentos dos novos
investimentos, ao longo do tempo, reduzem-se devido ao aumento da intensidade
do capital. No entanto, o facto das poupanças serem agora menos produtivas, ou a
própria redução do rendimento, impede o crescimento das poupanças e de novos
investimentos e o crescimento desacelera. A poupança, por este facto, não pode
constituir um factor determinante do crescimento económico de longo prazo. «O
stock de capital não pode crescer mais rapidamente do que a oferta efectiva de
trabalho que depende do crescimento populacional e da eficiência do trabalho»
(Agell et al (1997): 37).
O modelo neoclássico de crescimento, se permite estruturar os pensamentos
sobre o crescimento económico, ao introduzir um conjunto de hipóteses
simplificadoras que salientam alguns mecanismos centrais, apresenta, no entanto,
limitações importantes (Agell et al (1997)): a) o modelo não é suportado por uma
teoria que explique os factores de crescimento (exógenos) ¾ crescimento
populacional e alterações tecnológicas; b) a teoria do modelo neoclássico não
contempla as interacções entre instituições políticas, económicas e sociais
assumindo que todos os mercados funcionam bem e que todos os consumidores são
iguais, os argumentos tradicionais para a aplicação de políticas económicas
correctivas, e de redistribuição do rendimento, não fazem sentido. Enquanto que os
argumentos tradicionais, para justificar a intervenção de um sector público na
economia, se baseiam nas preocupações sobre distribuição e falhas de mercado, no
modelo neoclássico não se encontram razões para um sector público ou um Estado
Providência. Se os wedges fiscais e outras regulamentações governamentais
reduzem a eficiência económica, e o modelo permite averiguar os custos
económicos do sector público, não elucida sobre os seus benefícios; e, c) nestes
modelos, dada a exogeneidade dos mecanismos do crescimento, impedem a
explicação dos principais factores que determinam a taxa de crescimento e,
adicionalmente, porque o crescimento é exógeno, a política não afecta a taxa de
crescimento. Como tal, os «modelos exógenos de crescimento limitaram a utilidade
para explorar as determinantes do crescimento [...] o que explica porque é que o
interesse na teoria do crescimento declinou nos anos 60 e só reviveu quando se
desenvolveu a teoria do crescimento endógeno quase 25 anos mais tarde» (Myles
(2000): 144).
O artigo de Paul Romer (1986) sobre o crescimento endógeno, impulsionou muito
a teoria do crescimento económico e a realização de trabalhos empíricos posteriores
sobre as determinantes do crescimento económico e, as modernas teorias de
crescimento económico, apresentam a taxa de imposto como uma das principais
determinantes das taxas de crescimento de longo prazo. Com crescimento
endógeno, a política fiscal pode afectar não só o nível de output mas também a taxa
de crescimento de longo prazo1: os impostos têm um efeito negativo na taxa de
crescimento de longo prazo desde que afectem os incentivos.
Na maior parte dos modelos de crescimento endógeno2 assumem-se
rendimentos constantes para os factores de produção que podem ser “reproduzidos”
por poupança e investimento, determinando o crescimento económico de longo
prazo. Por este motivo, a taxa de crescimento é endogeneizada, uma vez que é
determinada pelas decisões de investimento que resultam do próprio modelo.
Nos modelos de crescimento endógeno (Romer (1986), Lucas (1988)), a taxa de
crescimento estável do modelo de Solow ¾ impulsionada por crescimento da
tecnologia e produtividade da força de trabalho ¾ é substituída por taxas de
crescimento do estado estacionário que podem diferir de uma forma persistente
devido às políticas fiscais implementadas pelo governo (King e Rebelo (1990)).
Estes modelos realçam factores como efeitos “spillover” e “learning-by-doing”,
através dos quais as decisões das empresas em investimentos de capital ou em I&D,
ou as decisões individuais em capital humano, podem gerar efeitos externos
positivos que afectam a economia como um todo. Estes modelos predizem que
alterações permanentes nas políticas governamentais que afectem as taxas de
investimento podem conduzir a alterações permanentes na taxa de crescimento do PIB. É, pois, plausível que os impostos, ao afectarem aquelas decisões, possam ter
um efeito persistente no crescimento económico.
Se, até então, as perspectivas de crescimento de longo prazo se baseavam na
hipótese dos rendimentos decrescentes do capital e, desta hipótese, decorria que a
taxa de remuneração do investimento e a taxa de crescimento do output per capita
decresciam com o aumento do stock de capital per capita esperava-se que, ao longo
do tempo, as taxas salariais e o rácio capital/trabalho convergissem entre as
economias. Nesta perspectiva, quer as condições iniciais dos países, quer as
políticas actuais não tinham impacto no crescimento económico e, não existindo
progresso tecnológico, a taxa de crescimento do output per capita convergia para
um estado estacionário à taxa nula. No entanto, «a taxa de investimento e a taxa de
remuneração do capital podem aumentar, em vez de diminuir, com aumentos do
stock de capital. O nível de output per capita em diferentes países não tem que
convergir; o crescimento pode ser persistentemente lento em países menos
desenvolvidos e pode mesmo não ocorrer. Estes resultados não dependem de
qualquer tipo de alterações tecnológicas específicas ou de diferenças entre os
países. As preferências e as tecnologias são estacionárias e idênticas. Mesmo a
dimensão da população pode ser mantida constante. O que é crucial para todos estes
resultados é o ponto de partida da hipótese usual de rendimentos decrescentes.»
(Romer (1986): 1003).
Este novo enquadramento do estudo das determinantes do crescimento de longo
prazo tem fortes implicações (Agell et al (1997)). Por um lado, as instituições
políticas, económicas e sociais têm agora um papel activo no crescimento
económico. Neste âmbito, vários estudos foram realizados, nomeadamente os
efeitos das políticas comerciais, impostos e despesas públicas sobre a taxa de
crescimento de longo prazo. No modelo neoclássico, os wedges fiscais reduzem a
eficiência económica, no modelo de crescimento endógeno provocam efeitos
negativos permanentes no crescimento. Por outro lado, enquanto no modelo
neoclássico não é tida em conta a influência do Estado na afectação de recursos, no
modelo de crescimento endógeno analisam-se os benefícios e os custos da sua
intervenção. Há estudos que realçam o papel das externalidades na formação de
capital: para Lucas (1988) se o retorno social da educação exceder o retorno
privado, os investimentos em capital humano e, possivelmente, o crescimento de
longo prazo, também será demasiado baixo, facto pelo qual justifica o subsídio da
educação em diferentes níveis. Outros realçam os benefícios da promoção de I&D:
Romer (1990) salienta a importância da concorrência imperfeita e vantagens de
escala da I&D. Neste contexto, defende-se, também, a necessidade de uma política
pública de intervenção que estimule o desenvolvimento técnico e inovação. Outros
trabalhos dão muita ênfase às infraestruturas e às instituições: Barro (1990)
Política fiscal e crescimento económico
considera que os investimentos em comunicações, protecção dos direitos de
propriedade e escolaridade básica são investimentos produtivos que favorecem o
crescimento de longo prazo. Autores há que realçam o papel das instituições
financeiras: Saint-Paul (1992) defende que o governo, facilitando a criação de
instituições financeiras, pode incentivar a tomada de risco e as alterações
tecnológicas.
No entanto, a determinação da dimensão óptima do sector público é de difícil
resolução: a preocupação, por parte do Estado, em maximizar o crescimento de
longo prazo, tem que ponderar entre os efeitos da política de intervenção pública
que favorece o crescimento e os efeitos que retardam o crescimento resultantes de
impostos mais elevados e regulamentações.
A teoria do crescimento económico, se tem tido em consideração as funções do
sector público como a correcção de falhas de mercado, investimentos em
infraestuturas e impostos, tem descurado a função do Estado na redistribuição do
rendimento e de como o comportamento político é determinado pelos interesses,
por vezes conflituosos, na sociedade

Reservas Obrigatorias ou deposito compulsorio

Reservas obrigatorias ou depósito compulsório é uma das formas de atuação de um Banco Central para garantir o poder de compra da moeda, e, em menor escala, para execução da política monetária. O depósito compulsório é geralmente feito através de determinação legal, obrigando os bancos comerciais e outras instituições financeiras a depositarem, junto ao Banco Central, parte de suas captações em depósitos à vista ou outros títulos contábeis.  

Multiplicação da Moeda

 O principal objetivo do depósito compulsório é evitar a multiplicação descontrolada da moeda escritural.O Depósito Compulsório é a reserva obrigatória recolhida dos depósitos bancários, conforme percentual fixado pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), com a finalidade de restringir ou de alimentar o processo de expansão dos meios de pagamento. -Texto adaptado (Programa de Educação Financeira do Banco Central do Brasil, no passado, depósito compulsório foi considerado como instrumento de política monetária, mas paulatinamente passou a ser visto como instrumento de preservação da estabilidade financeira: fonte site Banco Central. Quando uma pessoa deposita certa quantia de dinheiro num banco comercial, esta quantia fica disponível para que o banco a empreste a outro cliente. Este cliente, por sua vez, não gasta imediatamente todo o dinheiro tomado como empréstimo, mas deposita o valor tomado em um segundo banco. Neste ponto temos uma multiplicação da moeda, já que o primeiro depositante tem a totalidade de seu dinheiro disponível em moeda escritural (pode emitir um cheque nesse valor, ou fazer compras com cartão de débito, por exemplo) e o segundo depositante também tem a mesma quantidade disponível. Entretanto, a quantidade de moeda "real" é apenas a quantidade que foi depositada pelo primeiro depositante. Num exemplo mais concreto: Digamos que A tenha 100 dinheiros e isso seja toda a nossa economia num país imaginário P. Quando A deposita esses 100 dinheiros no banco X, os 100 dinheiros em papel moeda se transformam em 100 dinheiros em moeda escritural, que A pode gastar emitindo cheques ou usando seu cartão eletrônico. Temos então que outra pessoa, digamos B, precisa de 100 dinheiros. Ela se dirige ao banco X e toma um empréstimo de 100 dinheiros. O banco X entrega então a B os 100 dinheiros em papel moeda que A lhe havia entregue como depósito, sem com isso diminuir o valor em moeda escritural que A tinha em sua conta. Assim temos na economia do país P um total de 200 dinheiros, mas apenas 100 desses em papel moeda. A moeda está se multiplicando a cada depósito. Se B também deposita seus 100 dinheiros num banco Y, e C toma um empréstimo junto ao banco Y de 100 dinheiros, temos mais uma multiplicação da moeda. Essa multiplicação não tem limites, já que os bancos podem emprestar todo o dinheiro depositado neles. Essa situação é insustentável, se a oferta de moeda se torna maior que o que a economia é capaz de produzir, a inflação toma conta para reajustar o valor da moeda até o nível de preços. Mas se a moeda é infinita, então a inflação também será. Aí entram os depósitos compulsórios.

Controle da Multiplicação da Moeda

 Suponhamos que para cada depósito feito por uma pessoa num banco, este banco deva reservar 50% do dinheiro, e só possa emprestar os outros 50%. Nesse caso, B só pode tomar 50 dinheiros de empréstimo, e C só pode tomar 25 dinheiros, e assim sucessivamente, até que o valor que poderá ser emprestado é menor que 1 dinheiro, e assim não pode mais ser depositado ou emprestado. Nesse caso, a multiplicação da moeda não é infinita e pode ser controlada através da variação desta porcentagem. Essa "reserva" de dinheiro é o depósito compulsório. Os Bancos Centrais obrigam a cada banco que uma parcela do dinheiro que eles captam em depósitos seja depositado junto ao Banco Central. Esta parcela é usada para que o Banco Central tenha um controle da quantidade de moeda que existe na economia do país, seja na forma de papel moeda, seja na forma de moeda escritural, e assim poder controlar o poder de compra e a liquidez da moeda.

A MACRO E A MICROECONOMIA

Estudo da teoria econômica pode ser desdobrado em dois ramos: o da análise Microeconômica, e o da Análise macroeconômica. Desta maneira, o grupo deverá citar as abordagens dos autores sobre o campo de estudo da Microeconomia e da Macroeconomia.





O Estudo da Teoria Econômica se divide em duas grandes áreas: a Teoria Microeconômica e a Teoria Macroeconômica.
• A Teoria Microeconômica, ou microeconomia, preocupa-se em explicar o comportamento econômico das unidades individuais de decisão representadas pelos consumidores, pelas empresas e pelos proprietários de recursos produtivos. Ela estuda a interação entre empresas e consumidores e a maneira pela qual produção e preço são determinados em mercados específicos.
• A Teoria Macroeconômica, ou Macroeconomia, por sua vez, estuda o comportamento da economia como um todo. Ela estuda o que determina e o que modifica o comportamento de variáveis agregadas tais como a produção total de bens e serviços, as taxas de inflação e de desemprego, o volume total de poupança, as despesas totais de consumo, as despesas totais de investimentos, as despesas totais do governo, etc.
Apesar das diferenças apontadas não existe, em princípio, nenhum conflito entre a micro e a macroeconomia, uma vez que o agregado da economia é dado pela soma de seus mercados.
Fonte de pesquisa:
Autores: Carlos Roberto Martins Passos
Otto Nogami
Livro: Princípios de Economia
Editora: Pioneira
Página: 41
• Microeconomia

A microeconomia pode ser entendida como o ramo da ciência econômica que estuda o comportamento dos consumidores e, por outro lado, certos aspectos relacionados ao funcionamento das empresas, no tocante a custos e produção de bens e serviços e, também, a receita e fatores produtivos.
A área de abordagem da microeconomia diz respeito às formas pelas quais as unidades individuais que compõem uma economia – os consumidores os empresários e os proprietários dos fatores de produção – interagem, visando a satisfação das necessidades econômicas da sociedade. Por sua vez, a microeconomia interessa-se pelos estudos dos agregados – produção, consumo e renda da população como um todo – em lugar das divergências internas nas operações da economia.
A análise microeconômica identifica-se, em grande parte, com uma “Teoria de Preço”. Nos dias de hoje, os preços têm a função especial de reunir e comandar as decisões de milhões de indivíduos, não somente em economia de mercado – movidas fundamentalmente pelos movimentos da oferta e da procura - mas, também nas chamadas economias planejadas ou centralmente comandadas.


• Macroeconomia


A macroeconomia compreende o estudo dos agregados – a produção ou renda nacional, o consumo, o emprego, a moeda, o nível de preços, o comércio internacional. Estes são, pois, aspectos amplos e globais da realidade econômica, que passará a ser abordada de forma “macroscópica”. Antes no enfoque “Microscópico”, podíamos observar de perto nossa participação na realidade econômica do país, ganhando e gastando, economizando sempre que possível. Agora, ao tratarmos dos agregados, abordando aspectos como o custo de vida em contínua e persistente ascensão, o nível de emprego em volume inferior às necessidades, sentir-nos-emos alheios à própria evolução dos fatos, porque, aparentemente as coisas fogem completamente do nosso controle pessoal. Na análise que ora iniciamos, a dúvida deslocar-se-á de uma visão individualizada para a visão da economia como um todo.
A renda disponível dos indivíduos é, em termos reais, menor a cada dia que se passa, num processo de elevação do nível geral de preço, não acompanhado de reajuste dos salários nominais. A análise

macroeconômica deve possibilitar respostas a questões tão importantes como: que é que determina o nível de renda em uma economia? Que é que determina o nível geral de preços? Que é que determina o nível geral de empregos? Estas questões referem-se aos problemas agregativos da economia como um todo. Problemas que somente a partir dos anos 30 passaram a merecer a atenção dos economistas. Antes disso, a teoria econômica dominante tendia a ignorar o principal dos problemas agregativos: o do emprego. Os antigos economistas argumentavam que, teoricamente haveria automaticidade do pleno emprego: segundo as idéias de Jean Baptiste Say, economista francês que viveu entre 1767 e 1832, a oferta cria a sua própria procura, e, por isso, só estariam desempregados aqueles que exigissem salários irreais, ou que preferissem ficar desempregados, ou ainda aqueles que estivessem em trânsito, entre um emprego e outro.
Fonte de Pesquisa:
Autores: Fauzi Tímaco Jorge
José Octávio de Campos Moreira
Livro: Economia – Notas Introdutórias
Editora: Atlas
Editado: 1995
Página: 33 e 111/112


Conclusão de Macroeconomia e Microeconomia


Enquanto a Macroeconomia define a Economia de uma forma global, nos seus aspectos econômicos, a Microeconomia define as estruturas individuais tanto das empresas como dos seus consumidores, pois ambas estão interligadas entre si.