Para muitos economistas, a Economia Moderna data de 1776, ano da
publicação do famoso livro A Riqueza das Nações, da autoria de Adam
Smith (1723-1790). A obra de Smith está escrita em 5 extensos livros e o
argumento central é o de que a economia do mercado serve melhor o
interesse público.
O termo "mão invisível" foi dado por
Adam Smith, para significar a forma como funciona o mecanismo de
mercado ou o mecanismo de preços ou ainda o sistema de preços, isto é,
como é que tal sistema é capaz de coordenar, em simultâneo, decisões
independentes de infinitos compradores (os compradores querem comprar
mais quando o preço baixa) e de infinitos devedores (os vendedores
querem vender mais quando o preço sobe).
Visto que o
mecanismo de preços conduz a um equilíbrio automático, Adam Smith
concluiu que é como se existisse uma "mão invisível" que maximiza o
bem-estar individual e a eficiência económica.
Quanto
ao papel do Estado, Adam Smith defende que o Estado não deveria
interferir no funcionamento da economia. O Estado deveria adoptar uma
política de "laissez-faire", deixando tudo à livre iniciativa dos
privados. Sendo assim, a intervenção do Estado deveria ser mínima apenas
para garantir as condições para o cumprimento das regras de jogo (Lei e
Ordem, infra-estruturas sociais como estradas e pontes, etc.) no
funcionamento do mercado.
3.2 O PAPEL DO ESTADO NA ECONOMIA MODERNA
A
filosofia da "mão invisível" de Adam Smith, respeitante à eficiência
do mecanismo de preços, teve a sua credibilidade com o advento do
capitalismo liberal que vigorou durante os séculos XVIII e XIX no
chamado mundo ocidental. Vivia-se então a economia de mercado na sua
forma mais pura: a concorrência perfeita.
Foi a partir de situações de grave crise sofridas pelas economias da Europa Ocidental, nomeadamente, com:
a 1ª Guerra Mundial (1914-1918);
a Grande Depressão (1929-1933) que gerou uma crise massiva de desemprego sem precedentes;
e a 2ª Guerra Mundial (1939-1945),
durante
as quais as forças de mercado mostravam-se incapazes de encontrar o
equilíbrio económico desejável que o Estado foi obrigado a pôr de lado o
seu papel neutral para passar a intervir na actividade económica.
John
Maynard Keynes (1883-1946) um famoso economista inglês, é autor do
livro sobre A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (1936), do
inglês The General Theory of Employment, Interest and Money no qual
conseguiu explicar o que estaria por detrás do fenómeno de desemprego em
massa que ocorreu na Grande Depressão dos anos 30 e lança as bases para
o estudo da Economia Moderna: a Macroeconomia. O que até então se
estudava, a chamada Economia Clássica, desde os tempos de Adam Smith (o
Pai da Economia Política) corresponde ao que modernamente se passou a
designar por Microeconomia.
Quer dizer, Keynes saiu
dos parâmetros da economia voltada para o estudo da ciência económica
sob um ponto de vista individualizado (o preço do produto, a empresa, o
mercado, etc.) para o estudo de funções agregadas como o Consumo, a
Demanda agregada, a Oferta agregada, o Desemprego, a Inflação e outras
que aprenderemos a seu tempo.
Keynes argumentava que face à crise
massiva de desemprego sem precedentes, o Estado deveria intervir uma vez
que as forças de mercado, só de per si, não estavam capazes de produzir
no pleno emprego dos factores de produção. A intervenção do Estado dá
lugar ao que se designou por Intervencionismo.
Segundo Keynes, a intervenção do Estado iria estimular a Demanda Agregada e poria fim ao problema do Desemprego
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Adam Smith e o Paradoxo do Valor
Quando Adam Smith na sua famosa obra “A Riqueza das Nações”(1776) questionava:
Porque é que a água que é tão essencial à vida vale muito menos do que o diamante que é apenas um bem de luxo?
Tratava-se do Paradoxo do Valor. Cerca de 200 anos depois, é que foi possível responder a esta questão, quando os teóricos do Marginalismo (Jeovans, Menger e Walras), apresentaram as suas conclusões sobre a importância da Utilidade Marginal na decisão do consumidor.
Como vimos,
No passado, segundo os teóricos clássicos, o valor de um bem estava implícito no próprio bem visto ser dado pela quantidade de Trabalho nele incorporado. Quer dizer: o valor de um bem tinha carácter objectivo por ser formado do lado da Oferta, uma vez que resultava dos custos incorporados no objecto, sendo a mão-de-obra o recurso económico com o custo mais representativo nessa altura (Manufactura).
Com o surgimento dos Marginalistas, o valor de um bem, já não está no próprio bem, mas sim no Consumidor, através da satisfação ou utilidade que ele retira do consumo desse bem. Significa que o valor do bem passa a ter um carácter subjectivo (variável de pessoa para pessoa) sendo por isso formado do lado da Procura, porque depende da satisfação que o bem proporciona ao seu Consumidor.
A água apresenta um elevado valor de uso para qualquer ser vivo (Homem, animal ou planta) e um baixo valor de troca (porque com o preço que pagamos pela água só podemos trocar por outros poucos bens). Pelo contrário, o diamante apresenta um baixo valor de uso (porque não é essencial à vida embora seja um bem de luxo procurado por um número relativamente reduzido de pessoas no mundo inteiro) e um elevado valor de troca (porque com o preço que se paga pelo diamante podemos trocar por grandes quantidades de outros bens).
Samuelson (1999) apresenta uma explicação muito compreensiva sobre o Paradoxo do Valor, que podemos resumir no seguinte:
A água é relativamente abundante na Natureza. A sua transformação (em água potável, canalizada, engarrafada, etc.) para ser utilizada pelo Homem faz-se a custos relativamente baixos. Porém, os diamantes são escassos na Natureza e o seu custo de extracção é extremamente elevado.
Além disso, como já vimos, existe um paralelismo entre o comportamento da curva da Utilidade Marginal e o comportamento da curva da Procura de tal modo que o preço de um bem é determinado pela sua UMg, para mais informacao sobre o comportamento da curva da procura veja sobre a escolha do consumidor na abordagem cardinal.
No caso concreto da água, a Utilidade Total é elevada (um copo de água pode salvar uma vida) mas é a Utilidade adicional (UMg) que o consumidor retira da última unidade adicional que determina o seu preço, por sinal muito baixo por a água ser relativamente abundante.
Veja-se o caso do ar que respiramos: É um bem livre, com uma Utilidade Total muito elevada (todos precisamos de ar para viver) mas com uma UMg igual a zero porque existe em quantidades ilimitadas!
Quanto ao diamante, a sua Utilidade Total é inferior à da água (o diamante não salva uma vida!) mas é a sua escassez que determina que a sua Utilidade Marginal seja tão elevada. Não é fácil termos à nossa disposição tantas unidades adicionais de diamantes como acontece com o número de unidades adicionais de água! Assim, o preço do diamante que é igualmente determinado pela sua UMg é, por conseguinte, também elevado.
Porque é que a água que é tão essencial à vida vale muito menos do que o diamante que é apenas um bem de luxo?
Tratava-se do Paradoxo do Valor. Cerca de 200 anos depois, é que foi possível responder a esta questão, quando os teóricos do Marginalismo (Jeovans, Menger e Walras), apresentaram as suas conclusões sobre a importância da Utilidade Marginal na decisão do consumidor.
Como vimos,
No passado, segundo os teóricos clássicos, o valor de um bem estava implícito no próprio bem visto ser dado pela quantidade de Trabalho nele incorporado. Quer dizer: o valor de um bem tinha carácter objectivo por ser formado do lado da Oferta, uma vez que resultava dos custos incorporados no objecto, sendo a mão-de-obra o recurso económico com o custo mais representativo nessa altura (Manufactura).
Com o surgimento dos Marginalistas, o valor de um bem, já não está no próprio bem, mas sim no Consumidor, através da satisfação ou utilidade que ele retira do consumo desse bem. Significa que o valor do bem passa a ter um carácter subjectivo (variável de pessoa para pessoa) sendo por isso formado do lado da Procura, porque depende da satisfação que o bem proporciona ao seu Consumidor.
A água apresenta um elevado valor de uso para qualquer ser vivo (Homem, animal ou planta) e um baixo valor de troca (porque com o preço que pagamos pela água só podemos trocar por outros poucos bens). Pelo contrário, o diamante apresenta um baixo valor de uso (porque não é essencial à vida embora seja um bem de luxo procurado por um número relativamente reduzido de pessoas no mundo inteiro) e um elevado valor de troca (porque com o preço que se paga pelo diamante podemos trocar por grandes quantidades de outros bens).
Samuelson (1999) apresenta uma explicação muito compreensiva sobre o Paradoxo do Valor, que podemos resumir no seguinte:
A água é relativamente abundante na Natureza. A sua transformação (em água potável, canalizada, engarrafada, etc.) para ser utilizada pelo Homem faz-se a custos relativamente baixos. Porém, os diamantes são escassos na Natureza e o seu custo de extracção é extremamente elevado.
Além disso, como já vimos, existe um paralelismo entre o comportamento da curva da Utilidade Marginal e o comportamento da curva da Procura de tal modo que o preço de um bem é determinado pela sua UMg, para mais informacao sobre o comportamento da curva da procura veja sobre a escolha do consumidor na abordagem cardinal.
No caso concreto da água, a Utilidade Total é elevada (um copo de água pode salvar uma vida) mas é a Utilidade adicional (UMg) que o consumidor retira da última unidade adicional que determina o seu preço, por sinal muito baixo por a água ser relativamente abundante.
Veja-se o caso do ar que respiramos: É um bem livre, com uma Utilidade Total muito elevada (todos precisamos de ar para viver) mas com uma UMg igual a zero porque existe em quantidades ilimitadas!
Quanto ao diamante, a sua Utilidade Total é inferior à da água (o diamante não salva uma vida!) mas é a sua escassez que determina que a sua Utilidade Marginal seja tão elevada. Não é fácil termos à nossa disposição tantas unidades adicionais de diamantes como acontece com o número de unidades adicionais de água! Assim, o preço do diamante que é igualmente determinado pela sua UMg é, por conseguinte, também elevado.
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